sexta-feira, 18 de maio de 2018

Abandonada



Perdi, sim perdi
Um grande amor
Que perdurou um longo tempo
Enclausurado nos labirintos
De um passado amortecido.
Bastaram algumas palavras
E ele, que dormia tranquilo
No meu coração, seu berço,
Despertou e bebeu cada frase tua.
Sonhou ouvir a declaração que permanecia
Descansada em seu pouso
Sem ousar alcançar
O limbo de ausência tão dolente,
Presente agora, não como o almejado,
Porque o impedem circunstâncias
Já concretizadas, impossíveis de romper.
Resta tão somente
O sabor doce-amargo deste amor
Que ora sinto unilateral
Não ouço mais sutis promessas
Ao som de envolventes canções
Nem me extasio
Com o desabrochar da rosa vermelha
Que inunda, sem piedade, de perfume
Este meu mundinho inodoro.
Encerro-te, de novo, amor,
No íntimo do meu eu
À espera que me reencontres,
Para alimentar minhas emoções,
Esquecida de toda e qualquer razão,
Sem refletir,
Sem querer explicar,
Sem me importar em compreender...
Simplesmente abandonada
No teu eu.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Dreamstime


sábado, 12 de maio de 2018

Para minha Mãe

Este poema é um indriso, Para saber mais sobre esta composição literária, acesse:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/07/poema-criado-pelo-poeta-espanhol-isidro.html

domingo, 6 de maio de 2018

Em algum lugar...




Em algum lugar, minh´alma vaga
Sozinha. Espera no descompasso
Do tempo cicatrizar a chaga
Feita com tua frieza de aço.

Tu és o dono do meu destino.
Entreguei-to na ausência da dor,
Escutando teu riso argentino
E tuas falsas juras de amor.

Onde o sentimento confessado?
Para o vazio foi transportado.
Onde o devaneio acalentado?
Parou na lembrança, abandonado.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: ninna angel

sábado, 28 de abril de 2018

Filha do Amor



Minha alma flutua
Num grande vazio.

O sol abandona
O mundo perverso.

E lágrimas tombam
De nuvens pesadas.

Não matam, no entanto,
A dor que ora sente.

Do sólido atinge
O abstrato infinito.

Busca a luz da vida
No túnel da noite.

Os sonhos, pedaços
De versos, retornam.

Lampejos de instantes
Substituem tristezas.

O azul transparente
Realça os sentidos.

E o olhar matizado
De amor desfaz mágoas.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: perdidananet.zip.net

Teoria deste tipo de poema:
https://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2018/04/breve.html

sábado, 21 de abril de 2018

Bálsamo da vida



A vida seguia devagar...
Monótona... tediosa...
Num traçado reto,
Sem curvas, nem subidas,
Nem pedras no caminho...
O coração já se acostumara
À mesmice dos dias sem graça.

Não havia sonhos nas margens infinitas.

Até que... certo dia...
Apareceu-lhe sem ser chamado
Um amor pulsante de afetos.
Nela reverberou a música
Da partitura composta
Em momentos coloridos e brilhantes
De um tempo diáfano.
"Impossível", segredou-lhe a razão.

Indecisão passageira.

Para o amor não existem empecilhos.
Toda uma vida em lampejos,
Acendiam e apagavam como vagalumes
À procura de sentido para continuar...
Ainda hesitante, deu-lhe guarida,
Permitiu que se alojasse,
Não podia perdê-lo outra vez.
Seria como morrer sem alcançar
A claridade do bálsamo de ternura.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: A Soma de Todos os Afetos


sexta-feira, 13 de abril de 2018

E...é amor





Os olhares se entrecruzam
Por um só minuto infinito, contérrito...
Descoberta inesperada.

Suficiente para unir almas,
Distante no tempo de vidas autônomas,
E acordar amor secreto.

Eternizado no tempo,
Sentimento puro com desejo cálido:
Viver em um coração.

Entrevista nos olhares,
Some solidão nas declarações cúmplices
E nos sonhos reveladdos.

Não importa quanto dure...
Pode ser que um dia desapareça límpido,
Frágil de tanta saudade.

Ficarão lembranças boas
Dentro de cada alma, deste amor incógnito,
Romântico e natural.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: kronervijesti.info

Teoria sobre este tipo de composição literária:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/05/corola.html

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Nós Dois




A lua vaga seu alvor.
Teus olhos invadem meu ser.
Nós dois num silêncio opressor.

Ao longe, a natureza canta,
E as horas chegam ao amanhecer,
E a fala presa na garganta.

Olho-te atônita, abismada,
E tu, quieto, sem dizer nada.

Nós dois frente a frente chorando,
As mãos aos poucos se afastando...

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Amor!!!
Teoria sobre este tipo de poema:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/11/elidram.html

sábado, 31 de março de 2018

Penso...


.

Penso no beijo que não te dei.
Penso no que não aconteceu,
No quanto te amei, te desejei.

Penso na lágrima que rolou,
Penso no sorriso que feneceu
Quando a despedida ressoou.

Penso no meu amor que negaste.

Penso na dor que não debelaste.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: ebapho.com.br

Teoria para conhecer melhor essa forma poética:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/07/poema-criado-pelo-poeta-espanhol-isidro.html

sexta-feira, 23 de março de 2018

De presente, amor



Recebi muitos presentes.
Nenhum me fez tão feliz
Como quando ouvi de ti:
“Te amo”. Pra que outros presentes?

Murchariam, se fossem rosas.
Perderiam o seu viço,
Cairiam suas pétalas,
E eu não teria mais rosas.

Gastariam, se perfume.
Pode ser que eu esquecesse
Esta tua gentileza
De me mimar com perfume.

Não morre nem some o amor,
Vive na minha lembrança,
No espírito da poesia
Do teu meigo olhar de amor...

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: bluepearlhcm.blogspot.com



sábado, 17 de março de 2018

Despedida




Meus olhos estão nublados,
Lágrimas rolam sem pejo.
São soluços encerrados.
Libertá-los eu desejo.

Meu coração não aprende.
Por uma paixão se rende,
Envolve-se com o duende.

Espero pelo prodígio
De minimizar-lhe a dor
Que lhe causou o agressor,
Sem precisar de litígio.

Inesperado desprezo
Apanha o indefeso,
Tonto coração. Tão preso!

Por que agitar sua vida,
Iludi-lo com as juras
E as palavras de branduras,
Se o fim era a despedida?

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: A Soma de Todos os Afetos



Teoria para escrever poemas como esse:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/canzoneto.html

sexta-feira, 9 de março de 2018

Alguém...



Alguém sussurrou que me amava
Alguém partiu quando o almejava
Alguém levou meus sentimentos
Alguém roubou os meus momentos
Alguém me remeteu ao escuro
Alguém saqueou o meu futuro
Alguém transviou o encanto
Alguém me emudeceu o canto
Alguém me feriu mortalmente
Alguém sequestrou minha mente
Alguém me obstou ver a lua
Alguém me deixou na rua
Alguém co´a palavra faltou
Alguém com meu sonho acabou
Alguém se vestiu de cordeiro
Alguém fingiu ser companheiro
Alguém ficou pelo caminho
Alguém não tem mais meu carinho
Alguém usou minha candura
Alguém matou minha ventura
Alguém declinou da poesia
Alguém abdicou da alegria
Alguém transgrediu o meu eu
Alguém meu coração prendeu

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: O Segredo

domingo, 4 de março de 2018

No palco, emoções





Bailo no palco de emoções.
Interiorizada intensamente,
Sigo a melodia das canções.

Faço parte de um todo frágil,
Que encena uma peça incoerente
Em que cada ato é bastante ágil.

Sou somente um protagonista
Manipulado fortemente,
Cujo criador sempre avista.

Não represento um papel,
Sou uma mãe vigilante, ente
Dedicado, amiga fiel.

Deixa-me o diretor sonhar
Em ser uma estrela envolvente
Para que a corações falte ar.

Atuo sempre contra o mal.
Descubro no abraço da gente
Salvação sobrenatural.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: A Soma de Todos os Afetos


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Tempo azul



Meu tudo, minha vida,
Meu olhar derrama-se azul
No tempo interminável
Onde meus poemas
Se misturam com a doçura
Da madrugada com sabor de pitanga.
Teu sorriso me acaricia,
Mito dourado, cândida magia.
Tua voz, sussurro inesperado,
Irradia acordes místicos
Que forram minhas trilhas.
Vertes nela teu perfume
E caminho com os olhos
Fitos no horizonte azul.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Pinterest

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Tanta saudade!


Saudade dos dias que não vivi.
Saudade das noites em que não dormi.
Saudade da voz que não ouvi.
Saudade das palavras que não compreendi.
Saudade dos beijos que não recebi.
Saudade dos abraços que perdi.
Saudade dos toques que não senti.
Saudade do rosto que não conheci.
Saudade do nome que esqueci.
Saudade do olhar de que fugi.
Saudade das lágrimas que transferi.
Saudade do sorriso que interrompi.
Saudade da trilha que não percorri.
Saudade da rosa que não colhi.
Saudade do aconchego que não recolhi.
Saudade do amor que preteri.
Saudade da esperança que distribuí.
Saudade das luas que não vi.
Saudade das estrelas que não segui.
Saudade do mundo de que me despedi.
Saudade... Saudade... Saudade...

 Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Jornal I biá

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Encontro não marcado



Este amor que me consome
É verdade ou ficção?
Se verdade, por que some?
Ficção? Por que dói, então?
Cada dia, espinhos fundo
Cravam-me na alma abstraída.
Sangram as horas vazias
Do eco da tua voz muda.
Num sopro de paz afundo
No meu eu as fantasias.
De ti meiguice desnuda
Surge na poeta ferida.
Ah! como desejo, Amor,
Reunir as sensações!
E num minuto propor
O encontro, enfim, das paixões.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem:astrologyhub.com

Para saber mais sobre este tipo de composição literária, consulte:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/10/esparsa_26.html

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Já não sei quem sou






Procuro-me...
Não me encontro.
Sondo-me...
O silêncio cala-me.
Examino-me...
Não me reconheço.
Consulto-me...
Meus ais aprisionam-me.
Disseco-me...
Não sou mais um todo...
Investigo-me...
Difícil unir fatias de mim.
Experimento-me...
Pedaços de mim em conflito.
Reflito-me...
Desaparece a imagem de mim.
Exploro-me...
Restaram-me os sonhos.
Perscruto-me...
Nuvens de amor brotam-me no coração.
Percebo-me...
Perfume de rosas vermelhas inebriam-me.
Avalio-me...
Buquês de afetos ludibriam-me.

Mardilê Friedrich Fabre
Fotos do acervo pessoal.



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Chuva de amor




Chovo amor no teu corpo puro
Que desperta envolto em vapores.
Musa, mulher, anjo, misturo.
Milagre este quadro compores.

Será a minha solidão
Que goteja em ti a ternura
Deste confuso coração?
Em silêncio, clamo por cura.

Teu perfume enraizado em mim,
Mortificação permanente,
Turva-me. Age como estopim,
Explode em minha pele quente.

Sentimento embriagador,
Só acaba quando vejo
Rosto coberto de rubor,
Embrulhado em doce desejo.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Com os pés na terra e o coração nas estrelas

sábado, 20 de janeiro de 2018

Segredos iluminados



Minh´alma estala em luzes.

São segredos encerrados
Que a Via Láctea ilumina.

E destrói este vazio
Do nada imenso e nostálgico.

Vitória das nossas manhãs
Acordadas entre sorrisos
Dos prazeres do paraíso.

Emoções sem jogos nem máscaras,
Confissões que renovam a vida,
Sem ressentimentos nem mágoas.

A dimensão perde o lugar.
O tempo estático só nosso
Dura o infinito da lembrança.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Pinterest

Teoria para aprender este tipo de composição literária:

http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2014/11/escala.html


sábado, 13 de janeiro de 2018

Amores não correspondidos





Em seu escritório improvisado, a professora corrige redações. Oito turmas de terceira série, e o vestibular à porta, é preciso que os alunos escrevam melhor...muito melhor.

De longe, distraída que está, ouve a campainha. “Ué! Não espero ninguém”.
Vai até a porta e abre-a. Diante dela, o rosto conhecido de um adolescente tímido, muito triste. Seu olhar fala: “Me ajuda”.

Surpresa e também curiosa, convida-o a entrar e sentar. Apesar do seu esforço, tem um pouco de dificuldade de fazê-lo falar para contar o que o aflige tanto.
Para suavizar o ambiente, depois de ele concordar, coloca no aparelho um CD do Chico Buarque (ele lhe diz q é um de seus cantores prediletos). Só então a conversa começa a fluir com mais naturalidade (desaparece a surpresa dela e um pouco da timidez dele).
De cabeça baixa, como quem esconde o rosto, ele chega ao ponto crucial. (“Como ela não percebera? Só podia ser isto: amor não correspondido. Amor de adolescência... Também ela fora escandalosamente apaixonada por alguém. De chorar de frustração. Ele a ignorava completamente. E como doía!”)
E o que dizer para aqueles olhos à sua frente voltarem a brilhar confiantes de que o amor é possível? Adianta afirmar que, com o tempo, tudo passa?
Ela deve apenas ouvir a história, embalada pela voz do Chico, e revelar seu otimismo em viver. (“Vontade de dar-lhe colo e deixá-lo chorar até livrar seu peito de tamanha tristeza. Foi o que a ajudara.”)
Ele vai embora e fica com ela uma sensação de impotência nostálgica.
Ele volta (ainda bem, porque ela está mais preparada). Ele lhe parece mais animado, um pouco menos triste e conversam sobre assuntos diversos. A filha dela contribui para distrair o ambiente, pois vem do balé, entra como um furacão, larga a mochila e sai aos pulos para brincar na calçada.
Mas... e na sala de aula? Ela percebe que ele a segue com um olhar súplice.
É. A relação aluno-professora fora rompida, porque agora entre os dois surge um novo e precioso sentimento: amizade.
Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: via Google