sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Aprendi com o tempo



O tempo é bom professor.
Ensina sobre o amor
E sobre a dor e a alegria,
Transformando a noite em dia.

O tempo é o melhor médico.
Enxuga todas as lágrimas
Com a toalha das horas,
Assinalando as auroras.

O tempo é um conselheiro,
Excelente companheiro.
Abre a cortina da mente,
Onde está passado atraente.

O tempo é restaurador
Vem vívido, animador.
Permite que o sonho mude
A velhice em juventude.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: xetobyte.deviantart.com

sábado, 16 de setembro de 2017

Ao acaso



Foi sem previsão, ao acaso,
Que nossa paixão nasceu.
Ali no jardim, no ocaso,
Senti seu olhar no meu...

Fingi não vê-lo sorrir.
Minhas faces afogueadas
Selaram nosso porvir
Oculto nas alvoradas.

Veio p´ra perto de mim.
Meu coração disparou.
Ouvi sua voz, enfim,
Quando amor me declarou...

Não foi por acaso, porém,
Que não nos separamos mais.
Foi por conquista de alguém
Que esperou você demais...

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: screenertv.com

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Mágico coração



Dançam os dias, e o amor cresce.

De soslaio a vida me espia.
Disfarço, finjo que não noto.
Escondo-me em lugar remoto:
Em coração que é só magia,
Um oásis já habitado.
O que faço? Olho a jovem: linda!
Sorrio. Um abraço. Bem-vinda!
Cabemos as duas lado a lado.

Desde então minh´alma floresce.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: amazingcrazyworld.tumber.com


Teoria deste tipo de composição literária:http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/06/oitava-intercalada.html


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Vem me amar



Procuro-te ansiosa. Onde te escondes?
Viajei com o vento. Transpus mares.
Voei com a esperança pelos ares.
De mãos com o sol, visitei frondes.

Entrego-me à minha fantasia:
A lua me dirá teu refúgio.
Para seguirei com ousadia
Sem explicação nem subterfúgio.

E te convidarei: Vem me amar!
Caminharemos sob as estrelas,
Mesmo sem conseguir entrevê-las.
Juraremos amor ante o mar.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: getmp3anddowload.info

sábado, 26 de agosto de 2017

Esperança



Entre um suplício e outro,
Driblei a morte,
Cruzei o tempo,
Sobrevivi.
Distanciam-se amores e desamores.
Minha imaginação sem amarras
Voa na plenitude do inimaginável.
Rostos esfumaçados aparecem e desaparecem,
Gestos ininteligíveis,
Vozes longínquas me aprisionam.
Saudade? Renego. Expulso-a.
Passo a passo, deixo para trás
Os caminhos das folhas mortas.
Rumo em direção aos raios de luz
Que me banham,
Livram-me das nódoas das sombras
E descerram diante de meus olhos admirados
A cortina de dias promissores.
Voo com o vento,
Que me resgata a esperança
De eu encontrar a paz
Que esteve sempre tão distante.


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Pinterest

domingo, 20 de agosto de 2017

Basta uma palavra...



Para eu sair desta tristeza,
Que me corrói a alma sofrida,
Basta que você deixe a frieza
E comigo prolongue a vida.

A compreensão prometida
Usou-a como sutileza
Para eu sair desta tristeza,
Que me corrói a alma sofrida

Penso nos dias de beleza
Que vivemos. União rompida
Por uma estúpida fraqueza.
Basta uma palavra esquecida
Para eu sair desta tristeza.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: EOH


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Paciência



Como saber
Se não há respostas
Às perguntas?
O silêncio intimida, petrifica
Meu coração.
Entendo, devo ter paciência.
As pessoas
Não são como eu,
Livro aberto,
Emoções expostas sem ressalvas.
Certamente errei.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Agenda Espírita Brasil

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Todas as noites



Todas as noites, contas-me segredos,
Seguras-me pelas pontas dos dedos,
Conduzes-me pelo mundo dos sonhos,
Afastas os momentos enfadonhos.

Todas as noites, teu olhar me afaga,
Teu sereno sorriso me embriaga,
Tua diáfana voz me acalenta
E a tua boca a minha experimenta.

Todas as noites, cobres-me de amor,
O jardim exala suave odor,
E nós dois escrevemos um poema
De desejo e de fantasia extrema.

Todas as noites, sorvo tua essência,
Pois tu alimentas minha carência
(Sem qualquer norma nem questionamentos),
Impregnando-me de teus sentimentos.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: huffingtonpost.com


domingo, 30 de julho de 2017

Inconsciência


A espera por um sinal teu
Sufoca-me a alma.
Estavas escondido
No mais recôndito de mim.
Já nem sabia que existias,
Eras somente uma embaçada lembrança
Que o meu coração inconsciente desejava.
Minha memória agora desperta
Escreve nossa história de amor
Atemporal, sem princípio nem fim,
Com o meio a transbordar em versos
Que um a um caem na página vazia
Do desejo cativo da tua tez.
Não posso abraçar-te,
Perco-me no teu olhar doce e único,
Respiro a fragrância da tua presença,
Travo uma constante luta
Para amanhecer sem saber de ti
Como no tempo em que ficaste desaparecido
E eu não ansiava em alcançar-te
Porque meus sentidos
Eram marcados por tuas nuances.
Pareces fugir de mim
Como acordes de dedos tristes
Espalhados pelo ar.
Não há retorno.
Resta o vácuo das palavras cristalinas
Que não foram pronunciadas.
Preciso refazer minha vida sem ti.
Dar-me a escolha de ternuras
Que não dependem de ti.
Não quero esquecer-te
Foste importante para eu conhecer-me.
Voltarei a encerrar-te
No mais profundo
Da minha alma solitária.


Mardilê Friedrich Fabre
Imagem:www.rodrigooller.com

sábado, 15 de julho de 2017

Tão rápido!




Um dia te instalaste em meu coração
E me impregnaste com o aroma do amor.
No outro, saíste pé ante pé,
Sem barulho nem palavras.
Eu, estática, senti
Quebrar-se o enlevo.
Sobrevive a nostalgia
Dos caprichos que jamais acontecerão:
De ler no teu sorriso
A complacência de alguma loucura minha
Da qual não gostaste,
Das tuas mãos no meu cabelo em desalinho,
Da tua boca a declarar
As palavras que eu tanto imaginei ouvir,
Do teu olhar a me seguir sem trégua...
Um grito mudo de profunda aflição
Encerra-se em meu peito,
Aloja-se na alma torturada
Pela descoberta de um sentimento
Que parecia morto.
Mas... que reacendeu para se eclipsar
Nos recantos do tempo.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: CONTI outra


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quando amamos?



Amamos quando, na rosa branca
Recém-nascida no jardim,
Entremeado nas pétalas translúcidas,
Avistamos aquele sorriso
Que nos perturba há muitos anos.

Amamos quando ouvimos
No gorjeio do pardal
Acordes da inesquecível canção
Que une os corações
Numa ousada trama de paixão.

Amamos quando a nuvem
Carregada pelo vento,
Desenha a esperança
Da realização do sonho impossível.

Amamos quando uma palavra,
Pronunciada ao acaso (com intenção?)
Retumba dentro de nós
E nunca mais a esquecemos.

Amamos quando uma frase,
Expressa num momento de desabafo,
Instala em nós uma dor fininha,
Porque não houvera intenção de ser intruso.

Amamos quando compreendemos
Que construímos juntos
Uma terna história
Sem preocupação com o seu final.

Amamos quando, por mais que pretendamos,
Haverá uma dificuldade enorme em afastarmo-nos
Daquele olhar que nos aconchegou,
Porque não temos força suficiente
Para empreendermos a separação.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Vida a 2


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sozinha



A imaginação turbilhona sem descanso,
Encontra as aberturas do passado
E permite que imagens esquecidas
Tomem conta do meu hoje.

Eu e o nada que me completa...
Corro confusa, sem objetivos.
Douram-me as estrelas luzidias.
Escuto uma melodia. Nossa canção.

Fecho os olhos. Rodopio contigo
Pelo salão surreal da noite.
Aninhada nos teus braços, enlevada,
Deliro nas marés do tempo.

Abro os olhos. Novamente abandonada.
Tomo o rumo do cortejo da solidão,
Sento à beira da estrada de sonhos...
Pelo corpo escorrem-me as lágrimas da lua.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: Sem Formol Não Alisa – Wordpress.com


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Como uma fênix



Tal qual uma fênix brilhante
Ressurjo para nova etapa
De vida, agora planejada,
Não das cinzas, mas do refúgio
Para onde escapei, porque o peso
Da lentidão dos dias lúgubres
Impactava a felicidade.
Travo uma furiosa batalha
Com um novo amor imprevisto
Que derruba meus planos todos.
Ao mesmo tempo em que revivo,
Vago nas sombras da renúncia,
Ora sorrio porque existo,
Ora choro: devo ceifá-lo.
Serei eterna enamorada...
Descobrem-me, embora me esconda,
Os amores irrealizáveis.
Minh´alma vibra quando toma
Conta de meu ser o afogo
De uma paixão que me carrega
De atropelo para o calor
Inebriante dos carinhos.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem:www.xrest.ru

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Conforto



Há dias em que a vida
Dói mais que em outros.
A dama sem rosto me espreita
Atrás da esquina da fraqueza.
Espera o momento para abraçar-me.
O coração se confrange,
E se retorce,
E grita,
E me suplica cautela.
Reúno forças (nem sei de onde)
Que me sustentam.
A mente atilada
Intervém no espírito dormente.
Os olhos se abrem devagar...
O olhar envia súplicas...
Sinto, então, o calor da mão
Que segura firme a minha
E me conforta.
Experimento o toque protetor
Que me promete
Um tempo sem martírios,
Uma caminhada sem percalços,
Momentos de inigualável tranquilidade.
Afinal, tomo o caminho das estrelas
E, conduzida por vultos caridosos,
Modelo-me nos braços
Da mansidão azul.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Freepik

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Desmaterializado



O dia entristece.
O sol se esconde atrás da névoa.
Meu coração mortifica-se.
Minha cabeça turbulenta
Perturba-se com tua imagem
Emergida do misterioso mundo da vaguidão.
Minha pele sente teus dedos macios,
Teus olhos falam
Para minha alma desprovida de acalentos.
Bebo as doces palavras
Que não dizes
E que escorrem pelas minhas faces,
E alojam-se na alma abandonada.
Imagino que me abraças ...
Levanto as mãos para tocar-te...
Não te materializas,
És apenas uma alucinação.
Estavas distante...
Eu nem me recordava mais,
Eras somente uma lembrança
Diluída no tempo como tantas outras.
Surgiste da vastidão impenetrável.
Agora sofro tua ausência
Que me importuna,
E me atormenta,
E me maltrata,
E me lancina.
Meu ser encontra-se tão embebido de ti
Que, temo, um dia explodirá.
Quando aceitarei
Que nunca poderás ser meu?
Preciso conformar-me
Em amar-te sem que tu o saibas,
Mas a esperança de ouvir tua voz
Fazer-me uma declaração de amor,
Essa não morre.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Flor do Cerrado


Em resposta a esse poema, meu amigo e confrade, Celso Ferruda, fez o seguinte poema:


Desmardilerizando...
Das tristezas descritas, um brilho no olhar. 
Sol contido entre vagas nuvens, reaparece. 
O coração certifica-se: é tempo de sorrir... 
Cabeça turbulenta passa a sonhar tua imagem. 
Pele suavizada, sensibilidade e ligação no olhar. 
Os olhos que lamentavam bebem palavras, 
As tuas palavras, em silêncio! 
Ações que parecem diluir-se na vastidão do tempo
E voltam saborosas em forma de lembranças. 
Agora sem sofrer a ausência que importunava, 
Que atormentava, 
Que maltratava, 
Que dava dores agudas... 
Não temo mais a explosão dum sentimento fatídico,
Guardando segredos de amor, somente para mim. 
Posso hoje ouvir a consciente voz, 
Desmardilerizando o passado: 
"Este amor não morre, jamais morreu... vive na poesia."


Celso Ferruda
Imagem: Mulheres Bonitas

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Louco segredo



Sou guardiã de um louco segredo.
Por ser meu, fenecerá em meu coração
Como a rosa que perde seu perfume,
Sua cor e tomba exangue.
Um belo sonho que nunca se realizou
Simplesmente  porque somos dois os protagonistas.
E tu nunca soubeste dele.
Ah! mas sentiste...
Li nas entrelinhas dos teus aflitos silêncios
O desejo dos carinhos ausentes.
Embora nunca nos tocássemos,
Tua voz sabia a beijos rubros
Que me acarinhavam a face.
Tu me encontraste em farrapos,
Acreditei que ficarias para sempre.
De novo, o para sempre
Dissolveu-se na minha ingenuidade.
Prometo-me que não haverá outra oportunidade
Para ninguém.
Ficarei em minha companhia,
No silêncio de mim mesma,
Absurdamente paralisada pelo tempo
Que me mantém presa a um segredo
Que necessito esquecer.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: A mente é maravilhosa

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vazios




Teoria deste tipo de composição literária:
http://comocriarpoemas.blogspot.com.br/2015/09/enlaces-disticus.html

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tarde demais



Afinal nos encontramos.
Demoraste muito. Demoraste tanto
Que já não podemos nos amar.
Eu sabia da tua existência.
O senhor das vidas não permitiu
Que nos encontrássemos antes.
Convivi contigo em meu coração,
Imaginei teu olhar em cada despedida,
Senti teus lábios na minha pele,
As tuas mãos no meu cabelo revolto,
Descansei a cabeça no teu ombro,
Chorei abraçada por ti.
Havia um recanto só nosso
Onde me declaravas teu amor,
As mais belas declarações
Que alguém pode pronunciar.
Nunca senti saudade de ti,
Estavas sempre em mim,
Bastava eu pensar e te via ao meu lado,
Não carecia chamar-te,
Acompanhavas-me em todos os momentos.
Conhecias-me tão bem...
Que pena!
Tarde demais permitiram
Que te revelasses.

Mardilê Friedrich Fabre
Imagem: MiLeide - blogger